quarta-feira, 9 de abril de 2008

Exposições visitadas

No último sábado, dia 05/04, reunimos o grupo no Itaú Cultural com o objetivo de visitar as duas exposições em exibição no espaço: "Quase Liquido" e " H2Olhos". Tivemos maior interesse na exposição "Quase Liquido" que foi o motivo por termos visitado o Itaú Cultural.
A exposição tratava da volatilidade e movimento do liquido associado ao desenho e a forma. Abaixo citamos o resumo da exposição pelo curador Cauê Alves:

"O líquido se comporta de um modo bastante particular: não mantém uma forma estática definida, mas está sempre pronto para se modificar; Ele pode se acomodar no espaço e se adequar a qualquer recipiente, ganhando uma forma sempre provisória. O estado líquido pressupõe a inconstância, a mobilidade e a fluidez. É o estado mais próximo do fluxo do tempoe de tudo o que é instantâneo e passageiro como o próprio tempo.

O momento atual, segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, seriacaracterizado pela modernidade líquida. Uma era em que o poder exercido de modo evasivo, escorregadio e flexível. Os celulares, a internet sem fio e todo o mundo portátil e leve associado aos equipamentos de comunicação estão entre os responsáveis pela aceleração vertiginosa do tempo.

Entretanto, apesar desse mundo predominantemente fluido e veloz, a situação, pelomenos no Brasil, não é propriamente a de uma modernidade líquida. Talvez estejamos numa era quase líquida, em que dadas as contradições de nosso processo de modernizaçãoo quase deve ser ressaltado.

Basta olhar para o Rio Tietê na altura da marginal. Um rio que possui uma consistência gelatinosa e cuja matéria orgânica acumulada em seu fundo atrapalha o fluxo. A densidade atual do rio talvez seja um modo de caracterizarparte do mundo contemporâneo e de nosso atraso, um símbolo de nosso estágio de modernização. Uma modernidade contraditória, que não é plenamente líquida, que não engata e que só a duras penas se realiza. Ao mesmo trempo que São Paulo possui um dos piores trânsitos do mundo, se locomover de automóvel na cidade exige paciência, nela há uma grande circulação de motos e um do mais intensos tráfegos de helicópteros do planeta.

Tanto a relação do rio com o fluxo temporal quanto ao estado quase líquido são pontos de partida para a exposição. Não à toa há na mostra trabalhos realizados em esgotos, córregose no prórpio Tietê; outros que remetem ao rio como metáfora do tempo, e há ainda trabalhos que aludem indiretamente ao tema da mostra.

O estado quase líquido é parte de nosso processo particular de modernização que não conseguiu dissolver as sólidas e desiguais estruturas sociais e, com isso, renovar a ordem instituída. As estruturas que comandavam o mundo do passado ainda se mantém e o ideal de um país moderno, civilizado e desenvolvido não foi atingido. Se o poder se assenta justamente nesse estado de fluidez, na aparência de liberdade, isso significa que é quase impossível transformá-lo plenamente, afinal as estruturas se liquefizeram, são maleáveis e escorregadias, ou quase."

Frame do vídeo, Suco Gástrico, 2008, de Zezão.


Artur Lescher, Máquina, 2007 .

Rosângela Rennó, Experiência de Cinema, 2004.


Frame do vídeo Inventário das Pequenas Mortes (Sopro), 2000, de Cao Guimarães e Rivane Neuenschwander

Eduardo Srur Pets, 2007-2008

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